Crônica - Os caminhos da vida - Manoel Messias Pereira

Os caminhos da vida

O mundo é a esfera que as vezes parece calma mas a todos os instantes instalam-se o medo. E o medo é a barreira imposta pelas mãos humanas. As mãos tens dedos . A mão esquerda aponta sempre para o coração que fica dentro do peito, batendo na emoção da vida. A mão direita tem sempre o dedo indicador apontando para os caminhos e suas grandezas e mistérios. Os caminhos ás vezes provocam encruzilhadas e nele os negócios acontecem de forma legal dentro dos marcos da lei ou de forma escusas, tudo dependem dos cavalheiros e das damas que neles protagonizam os encontros.

Na Idade Média, a Santa Igreja católica olhava para o Universo e acreditava que a terra não fosse a esfera e sim a forma geométrica quadrada e nessa época a teoria ideológica que permanecia em toda a Europa Ocidental era sim o pensamento teo-cêntrico. Mas com o desenvolvimento cultural, científico, literário e artístico surgiu o pensar antropocêntrico alicerçado na razão, houve o processo de divergência com a Igreja católica em relação as novas ideologias que seguiram-se. E entre os tais cientistas que destacaram temos o cónego Nicolau Copérnico (1473-1541) que ao estudar o movimento dos planetas achou o modelo geocêntrico de Ptolomeu, que era muito complicado para a época. E assim acabou pensando que o sol fosse o único astro com luz, e propunha que o sol, não poderia ficar fora do centro para que pudesse iluminar os demais planetas. E cogitou a construção de um modelo que foi chamado de heliocêntrico na qual estabelece o sol estava num centro. Indo contra a Igreja Católica que dizia que a terra era o centro do Universo.

E o cónego Nicolau Copérnico acabou sendo punido pelo seu pensar. E em 1543 por meio de um derrame cerebral ele veio a falecer. E os estudos de Copérnico como já afirmamos  surgiu dos apontamentos de Claudio Ptolomeu , um astrônomo, geógrafo que viveu entre os anos 90 a 168. Ptolomeu propôs um modelo pra explicar o movimento que observamos todos os dias : como o nascer e o por do sol. Ele também procurou elucidar o  movimento dos planetas e das estrelas. em seu modelo a terra era o centro do Universo. e tudo girava  em torno da Terra, a Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. E esse modelo foi alicerçado na física de Aristóteles que foi assumido coo verdade até pela Igreja Católica durante a Idade Média. Com essa busca de Copérnico até os estudos de Ptolomeu e Aristóteles temos o que chamamos o renascimento científico, pois os renascentistas diziam que o período medieval foi o período das trevas.

Hoje apontamos para os estudos da cultura africana e encontramos a mitologia que fala de Èsu ou Exú, que em Yorubá que dizer "esfera", e o encontro dos caminhos das ruas dos caminhos tens nesta figura mitológica a magia e a ideia dele Exú ser o dono da rua e o encontro dos caminhos as encruzilhadas na qual há encontros e oferendas. E que nós popularmente chamamos de esquerda, o lado ue fica o nosso coração encarnado vermelho. Enquanto que a mão direita indica caminhos e nele que aparecem as emboscadas do destino, emboscadas da noite, da madrugada. E vale informar que Exú não gosta de escuros, de pouca iluminação. Mas ele está sempre em todos os lugares, pois é o guardião das ruas, das portas, portões, das casas. E é aquele responsável em limpar os caminhos para os cortejos dos afoxés, os chamados candomblés de rua. é a esfera como a terra, que não é tão calma como se aparenta, pois a seres físicos e e não físicos, entre corpos e almas, assim como há quem acredita que há deuses e espíritos, há sentimentos e coisas materiais e imateriais, a seres humanos e não humanos, a plantas a vegetais, a forças negativas e positivas, há respirações e inspirações. a prosas e poesias e em tudo isto há vidas, na forma científica e na forma filosófica,  literária e poética.

Exú tem o poder de agilizar, fazer todas as coisas tanto do bem quanto do mal até porque essa, ele é o mensageiro e manipulável pelo próprio ser humano, conforme o seu caráter e formação. A dualidade bem e mal é algo trazido nos conceitos religiosos europeus, no cristianismo principalmente, e que está incarnado nas práticas humana como o capitalismo que está implementado em todo o mundo, construindo misérias,  guerra, a discórdia e por um lado oferecendo o lucro ao bel prazer para uma classe social, chamada de burguesa e propondo a petição da miséria para as massas, relativas as classes populares ou pobres de um modo geral, vitimas de um sistema que promove dores possíveis e imagináveis .

A Esfera de ou Èsu, nutre-se de Iku-Egun e Baba-Egun. Em nosos ancestrais espiritualizados. é a esfera protetora dos terreiros, é também o primeiro a ser invocado no Ipade (reunião). é o mensageiro  que transmite, executa o pedido é Ojiré, é quem abre o carnaval e os cultos. Ele as vezes apresenta-se como o Tiriri que faz e desfaz as demandas as injustiças, o irmão ou que acompanha o Ogun, o dono do grito forte e bravio. E também a ligação, a multiplicação e o crescimento, Ijelu que regula processo ocorridos no seio da matéria gestora por essa natureza a sua cor é preta. O seu feminino é pomba-gira e a sua cor é vermelha. E pensando nisto há quem lembra a camisa do time de futebol do Flamengo.


Esses apontamentos  parece estar em sintonia com o renascimento, com a busca dos valores greco-romano, do período antigo, com a inspiração mitológica  e por isto refletimos e reafirmamos que o mundo é a esfera que as vezes parece calma mas a todos os instantes instalam-se o medo. E o medo é a barreira imposta pelas mãos humanas. As mãos tens dedos . A mão esquerda aponta sempre para o coração que fica dentro do peito, batendo na emoção da vida. A mão direita tem sempre o dedo indicador apontando para os caminhos e suas grandezas e mistérios. Os caminhos ás vezes provocam encruzilhadas e nele os negócios acontecem de forma legal dentro dos marcos da lei ou de forma escusas, tudo dependem dos cavalheiros e das damas que neles protagonizam os encontros.


Manoel Messias Pereira

professor, cronista, e poeta
Membro da Arpe - Associação Rio-pretense de escritores 
Membro da Academia de Letras do Brasil - ALB
São José do Rio Preto -SP. Brasil


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