Crônica - Lições dos estudantes - Manoel Messias Pereira
estudantes fugindo da repressão policial
Lições dos estudantes
Nossa memória, nossa doce memória, e nossas alegrias que eternizam em plena harmonia para toda uma vida. Nossas crianças em tempo de brindar-se em brincadeiras, em correr por bosques, em cantar cantigas de roda, em alegrar-se com o sonho da primeira bola, da primeira boneca.
Nossa memória, o gosto de aprender a fazer onda vai e onda vem nas primeiras linhas do caderno. Depois iniciarmos os contornos das primeiras letras, sem a preocupação de que elas vão ou não dar frases de efeitos, calcar discursos. As letras são ferramentas que toda a criança tem para que leia comece a desvendar um mundo. Um mundo submerso, nas especificidade dos adultos.
Aqueles adultos que falam sociologuês, economês, com todas as dificuldades possíveis, como assinaturas de médicos, sempre a procura de uma farmacêutico pra desvendar.A criança é um pouco disto. É ela aquela que que encontra um sonho e descasca-o como uma simples laranja, vai com cuidado retirando as cascas, pra depois saborear o fruto, sugar o sumo.
Há dois mil anos atrás, dizem que Jesus diz a frase "vide a mim as criancinhas". e neste dois mil anos, já que estamos em 2015, há inúmeros Cristãos, que pinta-se de adultos, que governam Estados, não entenderam qual é essa luz que ilumina caminhos que refletem em esplendor. Estou falando especificamente do Sistema de Ensino do Governo do Estado de São Paulo, que ao se ver ameaçados por crianças e adolescentes, na sua santa ânsia de ter educação melhor, respeito aos seus país, de uma escola decente, próxima de suas residencias, forjaram ocupar o espaço físico de uma escola e proporcionou a mais nobre de todas as lições o da cidadania.
Por parte do Estado constituído, veio como sempre o processo repressor, vieram bombas de gás lacrimogêneos, vieram balas de borrachas, vieram soldados, como os guerreiros romanos que recebiam soldos pra guerrear, vieram a ignorância dos adultos que com toda a estupidez social arraigada no olhar são incapaz de entender o gesto de quem ocupa a escola e que deseja estudar.
E o direito das crianças e adolescentes foram manchados de sangues como vi no rosto de um professor, que apanhou na frente daqueles educando, vi o Estatuto da Criança e Adolescentes serem desrespeitados - ECA, vi alunos serem machucados, e vi meninas serem abusadas sexualmente por soldados militares do Estado de São Paulo. É essa lição de mediocridade de crueldade que os senhores governantes tendem a ilustrar a realidade numa secretaria dita como o "Estado da Educação", se for essa forma digo que estão errados. E todos os senhores, sejam governantes, a partir do senhor governador, dos secretários, dos adjuntos, de todos os poderes constituídos que dão bases pra esses tipos de estupidez e desumanização social da rede. Precisam de corretivos, serem denunciados nas mais altas cortes do país e do meio internacional. Senhores são simplesmente terroristas sociais.
E penso assim, também imaginando como os país que tiveram seus filhos abusados, violentados por um Estado que se diz, democrático e de direito. Ainda alicerçado num mesmo contexto Cristão, recordo que Jesus na sua santa humildade, segundo os evangelhos, ficou entre duas contradições a primeira entre o sistema de vida e a segunda o seu propósito Educacional . Será que o evangelho é elevado demais para ser aplicado ao mundo, ou o mundo está abaixo demais para ser erguido até a sabedoria dos evangelhos.
Que perdoe-me todos os senhores Cristãos mas os senhores praticam o que intitulam de blasfêmia, como ação corriqueira da vida. Não creio que os senhores vão dar a vida pra ser pregados numa Cruz, mas sei que muito dos senhores são loucos de pedra, pra apedrejarem e até crucificarem o seu próximo. Não bastam terem um crucifixo, nos parlamentos ou diante dos ambientes executivos, se os senhores, são incapaz de entender, que o respeito a integridade física é a base destas palavras "ama o teu próximo com a ti mesmo e tenham Deus sobre todas as coisas", e ter esse Deus, não é estabelecer bombas só porque foi fabricada em Israel, mas é calar profundamente no respeito a todos os seres humanos, as todos os seres vivos a todas as coisas físicas e biológicas alimentado no amor divino.
Não sou doutor em nada. Apenas um griot, um afro-descendente, que reflete só a sabedoria de uma geração, que aprendeu na submissão por ser negro no Brasil, por cultuar uma leitura cotidiana dos valores da minha comunidade, de não deixar-se embebecer-se em insanidades essa religiosa ou não. E todas as questões está no nosso propósito de vida, é a central da existência e os nossos relacionamentos são canais para nossa expressão. A intimidade entre nós segundo o que aprendi na minha casa com minha mãe e avós não é pra conquistar a felicidade ou agarrar essa ou aquela profissão e ficar rico. Mas é o propósito de cumprimento para o enriquecimento harmonioso de minha vila,na minha cidade, de minha casa, na expressão de meu espírito, na oferta aos dons que carregamos.
Cabe a cada um de nós entender que é preciso de uma unidade de pensamento, que é necessário que cada um volte pra sua aldeia, pra sua vila seu bairro sua cidade, com um único propósito, construir uma unidade de ação, mas estabelecer uma discussão em células, discutir a vida como numa grande festa, numa grande emoção em que a democracia não seja apenas voto em dias de eleição mas uma prática de nossa comunidade, em que as famílias participam com seus pais, filhos, netos anistiando consciências acordando do sonho cristalizado deste fascismo social pintado com cores democráticas e que nos oferecem esses governantes que ilustram os parlamentos brasileiros de discursos utópicos e vazios. Ou os executivos que fingem de bons governos. Precismos caminhar na plena democracia e sabemos esperar as condições históricas, assim como construímos elementos para a formação política de toda a população.
As crianças, os adolescentes, sabiamente deram essa lição aos seres adultos. Aqueles que ao longo da sua embrutecida estupidez, aprenderam a adulterar vidas, sentidos, a desviar rotas. A explorar o homem pelo homem. Numa economia lógica que nega a miséria mas estabelece um rito, em que vejo na cidade de São Paulo pessoas que moram na rua, que dormem em caixas de papelão como se fosse lixo. E o medíocre governante nem se envergonha de ser autoridade numa patifaria desta. E por isto muitas vezes chamam acreditamos muitos que há canalhas na vida pública, patrocinados por canalhas da economia privada. e a esculhambação é total, basta observar quem patrocina quem nas eleições. Cabe a todos assimilar essas lições sabiamente, com respeito que elas merecem.
Manoel Messias Pereira
cronista, poeta
São José do Rio Preto -SP. Brasil

Comentários
Postar um comentário